Publicado em 04/03/2020 às 09h05 | 1505 visualizações |

"Acampamento da Resistência" : Ousadia de lutar, ousadia de vencer

Trabalhadoras e trabalhadores em educação básica pública do Piauí montam acampamento em frente ao Palácio de Karnak em protesto pelo não reajuste em 2019 e 2020, pela precariedade da merenda e do transporte escolar, pelo jogo cênico do governo canastrão fingindo dialogar e negociar, pelo massacre contra os/as aposentados/as e pelo total desrespeito a categoria.

 

A fibra e a garra dos trabalhadores e das trabalhadoras em educação pública da rede estadual, há 24 dias em greve, foi mais uma vez posta a prova no primeiro dia do “Acampamento da Resistência” no Palácio de Karnak, nesta quarta-feira (4). Sob um sol inclemente, pela manhã, e sob uma chuva torrencial, a tarde, com galhardia se postaram em protesto na frente do Palácio de Karnak em franco manifesto contra o pacote de maldade e mentiras do governo Wellington Dias.

 Apoiada por populares, estudantes e pais de diversas escolas, a categoria demonstrou que não se intimida com os fenômenos da natureza e muito menos com as ameaças e mentiras disseminadas na mídia pelo governo estadual com o objetivo de manter o arrocho salarial sobre os trabalhadores/as e o sucateamento da educação pública.

Os manifestantes rebateram a tentativa de criminalizar a greve, culpando o movimento pela evasão escolar, quando, na verdade, a mesma é consequente a má gestão da educação pública no Piauí, a começar pela precariedade do transporte escolar em muitas regiões, pela má qualidade da merenda escolar em grande parte das unidades, e pela desvalorização dos trabalhadores em educação.

Neste ritmo, o governo acabará citando, o que não nos surpreenderá, o velho mantra fascista de que "greve é caso de polícia", e colocará o seu aparato de segurança contra os trabalhadores/as em educação, como qualquer gestor conservador.

Outro ponto abordado durante a abertura do acampamento foi exigência de um diálogo honesto e verdadeiro, no sentido de que as partes apresentem propostas concretas e decentes, partindo para a discussão em busca de um consenso, sempre em consonância com a Lei do Piso.

Nesta dimensão, o jogo de cena de chamar o Sinte Piauí para reunião e apresentar propostas indecorosas, como a de voltar às aulas e depois negociar, ou de esperar a saída do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que não acontece há dois anos, para efetivar o reajuste, é imoral e desmerece a nossa inteligência e dignidade.

Neste norte, também foi acentuada a desonestidade de vir a público argumentar que já recebemos acima do Piso, quando, de fato, sem a regência, recebemos menos, ou de ameaçar com mudança de lotação e corte de ponto, tentando coagir os/as grevistas.

“Na abertura do “Acampamento da Resistência”, a presidente do Sinte Piauí, Paulina Almeida, deixou claro que “ ... o governo do Piauí se esquiva de conceder qualquer reajuste salarial no vencimento para os trabalhadores do Piauí. Nós, servidores da educação temos uma lei especifica, que determina para este ano o reajuste de 12,84%. Estamos em greve há 24 dias e hoje instalamos o acampamento por tempo indeterminado, até que sejamos atendidos com uma proposta de respeito.” Delineou a presidente do Sinte Piauí.

Ela também agradeceu calorosamente “os nossos alunos, pais e a sociedade que percebem que a nossa luta não e só por salário, mas, pela qualidade da educação piauiense que deixa muito a desejar, o governo do Piauí precisa fazer o “dever de casa” para que não continue perdendo alunos. A má gestão é a verdadeira causa da evasão e não a greve.” Finalizou Paulina Almeida.

Ao parabenizar os trabalhadores em educação pelo movimento, o presidente da CUT, Paulo Bezerra, destacou a importância e a legitimidade da greve, para trazer uma negociação. Ao mesmo tempo, reconheceu “ a contribuição valorosa de todas as entidades presentes aqui, Centrais, Sindicatos e entidades estudantis, fortalecendo com o seu apoio o movimento grevista e a luta por uma educação pública de excelência.”

A estudante Juliana Pimentel culpou o governo pela greve “devido a humilhação e a desvalorização dos trabalhadores. Fica claro que, na verdade a crise na educação faz parte de um projeto de desmonte da educação pública, contra o qual os trabalhadores se levantam neste movimento grevista e ao instalar o Acampamento da Resistência” definiu a estudante.

Amanhã (5), com chuva ou sol, a categoria em peso estará no “Acampamento da Resistência”, a partir das 8h, em mais uma jornada pela valorização da educação pública e dos/as que nela trabalham.

A GREVE CONTINUA!

TODOS/AS NO ACAMPAMENTO DA RESISTÊNCIA!

 

Mais de Local