Publicado em 24/11/2020 às 14h30 | 305 visualizações |

Sinte-PI apoia Ato pelo Dia Internacional da Não Violência contra a mulher

 

O Fórum de Mulheres Piauiense realizará nesta quarta-feira (25) um Ato pelo Dia Internacional da Não violência contra as mulheres. A atividade acontecerá em frente ao prédio do Tribunal de Justiça do Piauí a partir das 8h.

No ano em que a Lei Maria da penha completou 14 anos, o número de feminicídios no Brasil só tem aumentado. Foram registrados 170 casos de estupro por dia atingindo o maior número desde 2009, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). Esses casos acontecem em sua maioria no ambiente doméstico e está ligado a dois fatores: corte orçamentário às políticas públicas voltadas às mulheres, sobretudo após a PEC 95, que congelou o investimento em várias setores; o discurso misógino empregado pelo presidente Bolsonaro, que legitima o machismo entre os homens, estimulando atos violentos e a certeza da impunidade.

Para a secretária de mulheres do SINTE-PI, Antonia Ribeiro, é preciso ter muita mobilização e cobrar de nossos governantes estaduais e municipais, para ampliar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. Colocar em prática todas as leis em defesas das mulheres violentadas.

O Dia 25 de novembro foi aprovado como o Dia da Não Violência contra a Mulher por numa organização de mulheres que aconteceu em Bogotá, na Colômbia, em 1981 e reuniu mulheres do mundo inteiro e decidiram homenagear as irmãs “Las Mariposas” que responderam e pagaram com a própria vida ao lutarem contra a ditadura dominicana e em defesa da dignidade e da não violência, não só contra as mulheres, mas contra todos os povos.

Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), proclama esta data como o ”Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher” a fim de estimular que governos e sociedade civil organizada nacionais e internacionais a realizem eventos que incitem reflexões sobre a situação de violência em que vive considerável parte das mulheres em todo o mundo, considerado um dos grandes desafios na área dos direitos humanos.

 

ESTATÍSTICAS

No Brasil, 43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 35%, a agressão é semanal (Centro de Atendimento à Mulher). Em média, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada em nosso país. (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). Mais de 100 milhões de meninas poderão ser vítimas de casamentos forçados durante a próxima década (UNICEF).

Num ranking mundial que analisou a desigualdade de salários em 142 países, o Brasil ficou na posição 124 (Fórum Econômico Mundial). Vão se passar 80 anos para que elas ganhem o mesmo que eles. Igualdade de salários só em 2095 (Fórum Econômico Mundial).

Amanda Nunes, maior lutadora do UFC, ganha um terço do que um campeão masculino da mesma modalidade recebe. Merryl Streep, estrela hollywoodiana recordista de indicações ao Oscar, ganha menos da metade do que os colegas de profissão mais bem pagos.

As brasileiras ganham, em média, 76% da renda dos homens (IBGE). Apenas 5% de cargos de chefia e CEO de empresas são ocupados por mulheres (OIT).

Em todo o mundo, 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual no ambiente de trabalho (OIT).

70% de todas as mulheres do planeta já sofreram ou sofrerão algum tipo de violência em, pelo menos, um momento de suas vidas — independente de nacionalidade, cultura, religião ou condição social (ONU).

Essa causa é humanitária. É minha e sua, das crianças e idosos, dos ricos e pobres, dos brancos, pretos e coloridos.

Mais do que nomear a causa, é hora de colocá-la em prática, de despertar a consciência e não aceitar que um tapa na cara seja — literal ou metaforicamente — motivado pela existência de um órgão genital. É hora de perguntar com honestidade: “Como estou contribuindo para combater essa barbárie?”, “O que posso fazer para combatê-la?”

Não é preciso muito para lutar por um mundo melhor. Basta que haja um coração pulsante e sangue correndo nas veias.

 

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