Publicado em 06/10/2020 às 16h35 | 804 visualizações |

Professora faz Carta em resposta à infeliz declaração do Ministro da Educação, Milton Ribeiro

 

No último dia 24/09, o Ministro da Educação, Milton Ribeiro, fez uma pronunciamento que foi altamente infeliz ao falar dos "gays" e dos professores, dizendo que: "Hoje, ser um professor é ter quase que uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”  


O texto a seguir é da Professora Márcia Friggi (51), educadora e servidora pública de Santa Catarina, e ela expressa integralmente o que a maioria dos professores/as compromissados com a educação pública pensam. E mostra a impossível de se calar diante de tamanha ignorância vinda de um gestor conservador e retrógrado.


RESPOSTA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO MILTON RIBEIRO, PELA DECLARAÇÃO:


      "Hoje, ser um professor é ter quase que uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”.
      Caro Ministro, sempre sonhei ser professora. Demorei muito para realizar meu sonho, porque antes, foi necessário que eu ingressasse no mercado de trabalho e interrompesse a graduação em Pedagogia. Só muitos anos depois tive condições de retornar aos estudos dessa vez, para cursar Letras, sempre na área da educação, porque muito me orgulha a importância social desse trabalho. Sou também poeta, mas é no magistério que exerço minha função mais importante, mais nobre.
      Já sobre ser Ministro deste governo, considero ser uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer nada de nobre na vida. Ser Ministro deste governo é uma declaração de que sequer, a pessoa tem uma biografia a zelar. Ser ministro deste governo é um atestado de incompetência em todas as áreas da vida e em todas as dimensões humanas. Ser Ministro deste governo é um atestado incontestável de fracasso absoluto! 
      Ministro, eu influenciei positivamente meus filhos; uma Mestra em Psicologia e um graduando em Engenharia que também foi meu aluno. Eu oriento mais de quatrocentos alunos, ainda que remotamente, durante a pandemia, porque nunca parei de trabalhar. E o senhor, o que faz, além de dar declarações desastrosas à imprensa?
      Acaso o senhor ajudou no plano de contingência dos estados para o retorno às aulas presenciais durante a pandemia? Quais foram suas ações para o enfrentamento desse, que é um dos momentos mais dramáticos da história recente da humanidade? Qual sua contribuição, Ministro? Nenhuma!
      Eu entendo perfeitamente sua linha de raciocínio quando afirma que aqueles que escolheram o magistério, o fizeram  por não conseguirem exercer outra ocupação. Na sua lógica torta, só tem valor a profissão bem remunerada. A sua lógica é o dinheiro. Sim, o magistério brasileiro é a força de trabalho, com curso superior, com menor renda neste país. Nem todos escolhem seu ofício por dinheiro. Há os que o escolhem por amor e decidem continuar nele para lutar. Para lutar contra embustes como o senhor, contra as más condições de trabalho e salário.
      Ministro, nós venceremos! Em muito menos de um par de anos o senhor não será lembrado, mas nós resistiremos! Eu resistirei! E ser professor no Brasil ou em qualquer outra parte do planeta, continuará sendo uma das profissões mais nobres a qual um ser humano poderá ter a honra de dedicar seu tempo e a sua vida!
      Recolha-se a sua insignificância histórica, senhor Ministro!

("O senhor passará e nós passarinho!).
                               

 Professora Márcia Friggi

 

*A carta foi publicada no facebook da professora Marcia Griggi e circula nas redes sociais. 

 

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